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Não, esse post não é sobre o compacto lançado em 2013 pelo maravilhoso Tom Zé, infelizmente. Mas, fique e me leia, por favor. Se você gostou do disco dele, vai entender e abraçar meus motivos. Se nunca ouviu nadica do Tom (corra e ouça hehe), certamente, já leu textões no facebook de pessoas contando alguma situação cotidiana em que reprovam o ato de outra, normalmente desconhecida, presenciado ali, em frações de segundos. Não falo de violência física ou psicológica, de relatos de preconceito e coisa do tipo que devem virar textões SIM. Falo daquelas coisas que você olha, interpreta à sua maneira, tem um julgamento devido à sua vivência e voa para a rede do tio Mark bater o martelo. O outro virou um réu, sem nem receber intimação para depor. Uma mãe que deixou o bebê deitado no chão do aeroporto vira uma monstra em proporções mundiais devido ao julgamento de um X que sequer sabia o contexto da cena que assistiu.  E por aí vai...


Meu primeiro post fala sobre esse tema justamente porque é um dos motivos de eu ter demorado tanto para voltar à blogosfera (e ter diminuído a quantidade de textões no facebook). Todo mundo tem falado muito sobre tudo. O tempo todo. Muitas vezes, mais para mostrar a própria "iluminação" do ser, do que para trazer uma solução ou, ao menos, uma discussão sadia sobre o tema. Lendo agora uma postagem que falava sobre essa atitude (só que na vida "real"), resolvi escrever.

Logo de manhã, uma mulher sentada na padaria relata a seguinte cena: vê uma criança chegando com a mãe e pedindo uma coxinha, aos pulinhos de felicidade. Uma terceira passa pelos dois e solta uma bufada de reprovação. Seu pedido: tapioca e suco verde. Quando se levanta, passando novamente pelos dois, torce a cara de novo e manda um “ai ai”. A mulher sentada segue observando após a saída da “juiza” e ouve o menininho dizer “mamãe, obrigada. Vou lavar a minha mão pra não precisar voltar ao hospital de novo”, abraçando a mãe em seguida, e observou que ele tinha uma daquelas pulseirinhas de internação. Como ela mesmo diz no post, ok, coxinha no café da manhã não é a refeição mais nutritiva para uma criança, mas, quem pode dizer o que aquela dupla não passou até ali? A quem cabe julgar uma mãe que atende ao pedido de um filho depois de passarem sabe-se lá o que? Qual o nosso grau de elevação para sempre acharmos que nossa visão vem de cima? E, aqui, me coloco no molho...

Tem uma frase clichezinha (e eu adoro clichês, não me julguem) que diz, mais ou menos, o seguinte: “todo mundo que a gente encontra na vida está enfrentando uma batalha que você não sabe nada a respeito. Seja gentil, sempre”. Não cabe a mim também, julgar os julgadores. Eu entendo que muitas reações são devido, inclusive, à batalha pessoal daquele que aponta o dedo. Suas próprias vivências e medos que são acionados quando observam uma situação que, aos seus olhos, se assemelham a algo que viveu e doeu (REFORÇANDO QUE NÃO ME REFIRO À VIOLÊNCIA OU PRECONCEITOS DE GÊNERO/COR/SEXUALIDADE). Não é fácil. Mas, vamos dar uma de Einstein e aprender a relativizar algumas situações? É um exercício de reflexão apenas. Uns segundos de respiração que vão te ajudar a passar de juiz a colaborador. Inclusive, para não dizer que estou só apontando o “problema” deixo aqui uma sugestão: se a situação for algo que incomoda muito, foque na ação e não no ator. Fale sobre o que em você despertou aquele sentimento. Mas, tente entender que não somos oniscientes, muito menos estamos livres de ser o réu de alguém que não conhece nossos fardos ou acordos. Também estou tentando! Gentileza gera gentileza e, bem, gente lesa gera... já sabem né?!

Agora, sintam-se à vontade para ouvirem o álbum do Tom Zé que dá nome a esse texto (e conhecer o julgamento por trás dele). Vale a pena ;)


Um comentário

  1. Acredito que vivemos uma equação que o resultado é zero. Em suma, se geramos uma gentileza, em igual valor, outra gentileza nos será devolvida.

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